Fui assistir ao filme Mulher Maravilha porque foi uma heroína da minha infância. Mas, como coach, sempre acabo buscando alguma conexão com esta minha nova maneira de ver o mundo. A primeira conexão foi fácil de estabelecer.

Na minha formação como analista comportamental DISC, uma das ferramentas com que trabalho junto aos meus clientes, descobri que a personagem era uma criação de William Moulton Marston. Nascido nos Estados Unidos, o escritor de quadrinhos era também PhD em Psicologia pela Universidade de Harvard e escreveu, em 1928, o livro “As Emoções das Pessoas Normais”, estudo que embasou anos mais tarde a metodologia DISC, um dos mais tradicionais testes de análise de perfil comportamental. (*)

Conta-se que foi sua esposa que lhe sugeriu uma personagem feminina capaz de grandes atos heróicos para suprir a inexistência desta figura em meio a tantos heróis masculinos. Marston era também inventor e, como tal, criou o polígrafo, o detector de mentiras, e não por acaso, portanto, entre as armas usadas pela Mulher Maravilha, na luta contra o mal, está o Laço da Verdade, que ao enlaçar seus inimigos consegue extrair deles a verdade.

Era pra ser apenas um filme para distrair e divertir, contando a história de Diana, princesa da fictícia ilha paradisíaca Themyscira, refúgio das amazonas, mulheres guerreiras sob as bênçãos dos deuses do Olimpo.

Filha de Hipólita, rainha das amazonas, Diana consegue com muita dificuldade convencer a mãe a ser treinada pela tia e acaba se tornando a melhor guerreira da ilha, até que sente o chamado para propagar a paz, sendo a defensora da verdade e da vida no mundo dos mortais.

E é quando decide partir da ilha paradisíaca, na despedida da mãe, que o filme deixou de ser pra mim uma simples recordação da minha infância e tornou-se uma boa reflexão de coaching.

“Estou indo, mãe”, diz Diana.

“Se escolher ir embora, pode nunca mais voltar”, responde Hipólita.

“Quem eu serei, se eu ficar?” (ou como estava na legenda do filme: “Se eu ficar, eu não serei quem eu tenho que ser.”)

 

A cena representa muito bem o momento em que nos damos conta de qual é nosso propósito de vida e percebemos que, se nos acomodarmos e não formos atrás desse propósito, nunca seremos realmente felizes. Para Diana, ficar na ilha seria cômodo, familiar, seguro, mas lá ela nunca realizaria aquilo a que era destinada, a sua missão.

Independente da trama, da ação e dos fantásticos efeitos especiais do filme, foi esta frase de Diana que não me saiu mais da cabeça até o seu final. Mais coaching na veia impossível!

Afinal, não é esta a essência da busca do autoconhecimento, base de todo processo de coaching? Não é o autoconhecimento uma viagem sem volta? Não é o autoconhecimento que nos permite acessar todos os nossos recursos para vivermos em alta performance e, depois que aprendemos como fazer isso, não é um desperdício ficarmos onde estamos, sem buscar ampliar nossos horizontes e vivermos o nosso propósito com toda a intensidade?

“Se eu ficar, eu não serei quem eu tenho que ser.”

Pra dizer a verdade, esta frase não me saiu da cabeça até agora. E é, principalmente, por isso que amei e recomendo o filme.


(*) Se quiser conhecer mais sobre o DISC, entre em contato comigo pelo e-mail coach@daniellawagner.com.br

Daniella Wagner